Quem somos nós?
Quem é você? Hum… Uma pergunta tão curta quanto essa não é tão simples de responder quanto parece! Por que é tão difícil responder a esta pergunta?! Responder quem nós somos com alguma profundidade é um pouco difícil, mas não é impossível. Requer esforço, reflexão e consulta ao nosso “manual do fabricante” – a Bíblia Sagrada. Para saber o que nós queremos ser no futuro, precisamos começar respondendo o que nós somos. Para isso devemos nos voltar para a Bíblia e perguntar a ela quem nós somos como igreja de Deus. Escrevendo a cristãos da “diáspora” (1 Pe 1.1: NVI: “peregrinos dispersos”, ARA: “Dispersão”), o apóstolo Pedro resume muito bem o que a igreja é:
Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Antes vocês nem sequer eram povo, mas agora são povo de Deus; não haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam. (1 Pedro 2.9-10 nvi)
- O que a igreja é?
A primeira característica notável da igreja é que nós somos um grupo de pessoas distinto de outro. O texto começa com “vocês, porém”, expressando um contraste da comunidade que ele passa a descrever – o Povo de Deus, das pessoas que ele acabou de descrever – os ímpios. Como são os ímpios? São pessoas que rejeitaram Jesus, a Pedra Angular, desobedecendo a Sua mensagem (1 Pe 2.4,7-8). Nós, portanto somos aqueles que, pela graça de Deus, nos aproximamos de Jesus através da fé.
Esta fé salvadora (Ef 2.8-10) faz com que sejamos reunidos em um povo especial que é descrito aqui como sendo “geração eleita” (“raça eleita”, conforme a ARA, é uma tradução melhor), “sacerdócio real”, “nação santa”, “povo exclusivo de Deus”. O que estes termos nos ensinam sobre quem nós somos? Em primeiro lugar, precisamos entender que Deus nos fez uma comunidade. Não poderemos compreender corretamente o que a igreja é se perdermos de vista seu caráter comunitário. Somos um grupo e cada um de nós precisa entender que Deus nos fez assim para que nossa caminhada seja possível. Precisamos da igreja para viver a vida cristã.

Temos um relacionamento especial com Deus!
Além disso, Ênio R. Mueller aponta em seu comentário[1] que os quatro adjetivos usados em relação à igreja explicitam como deve ser a nossa relação com Deus e como o mundo. Em relação a Deus a igreja deve ser “raça eleita” e “povo exclusivo”, ou como a Tradução Brasileira coloca, somos “o povo todo seu”. Ele nos escolheu para sermos seu povo e sua propriedade.
Além disso, Deus nos faz seu povo para que tenhamos um papel a desempenhar no mundo. Por isso, somos também “sacerdócio real” e “nação santa”. Estes termos expressam uma tensão interessante que a igreja deve viver. Nós devemos viver de maneira santa, separada do mal e consagrada a Deus. Ao mesmo tempo devemos agir como os sacerdotes que sujava suas vestes no sangue que era derramado como consequência do pecado – todo sacerdote se suja por causa do pecado dos outros. Como ser separado do pecado se a todo o momento estamos em contato com o sistema pecaminoso do mundo? Jesus nos ordena: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mt 5.16) e Paulo nos diz: “Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo, retendo firmemente a palavra da vida.” (Fp 2.14-16a). Ser sacerdote significa também ser representante de Deus diante dos homens[2]. Somos sacerdotes que exibem a luz de Deus através de uma vida santa. Não podemos nos desviar nem para o legalismo asceta nem para a libertinagem, mas, como pecadores redimidos, precisamos exibir a graça de Deus aos que perecem.
O que a igreja é? A Bíblia nos diz: Um povo diferente e especial que foi escolhido e adquirido por Deus para um testemunho ativo e santo diante do mundo.
- O que a igreja faz?
A primeira parte do texto de Pedro que estamos estudando nos ensina que somos “geração eleita”, “sacerdócio real”, “nação santa”, “povo exclusivo de Deus”. Apenas isto já seria o bastante para nos conscientizar da grandiosidade de nossa missão. Mas o texto continua, nos mostrando que somos um povo especial que recebeu uma tarefa: “anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.

Somo igreja para proclamar!
Tão grande transformação – fazer com que mortos espirituais se tornem povo especial de Deus – não poderia ser realizada por qualquer ser. Apenas o Todo-Poderoso, Santo, Justo, Soberano, Sábio, Misericordioso, Gracioso e Amoroso Deus poderia fazer isso. Por isso, precisamos fazer com que Suas virtudes, seu caráter, seu ser sejam conhecidos em toda a terra! Ele fez tudo por nós, seria pedir muito que escravos feitos livres divulgassem a notícia de que há um libertador? Esse é o papel da igreja: refletir o caráter de Deus para que mais pessoas conheçam a Ele e sejam reunidos ao povo dele para prosseguir revelando ao mundo “as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. É isso que a igreja faz!
- Porque eu preciso levar isso a sério?
O último versículo desta passagem é notável! Pedro tem como base o texto de Oséias 2.23: “Eu a plantarei para mim mesmo na terra; tratarei com amor aquela que chamei Não amada. Direi àquele chamado ‘Não-meu-povo’: Você é meu povo; e ele dirá: ‘Tu és o meu Deus’.” O profeta Oséias é chamado a ilustrar com sua própria família o que Deus estava vendo na nação de Israel. Ele, então, recebe a ordem de se casar com uma mulher adúltera, chamada Gômer e ela dá a luz três filhos. O primeiro recebe o nome de Jezreel (“Deus espalha”), em alusão ao juízo de Deus para com a dinastia de Jeú, rei de Israel (Os 1.4). A segunda filha é chamada de Lo-Ruama (“não amada”), em referência ao juízo de Deus para com Israel (Os 1.6). O terceiro a nascer foi chamado de Lo-Ami (“não meu povo”), símbolo da insatisfação de Deus para com Israel. O que tudo isso tem a ver com a igreja? Os nomes dos filhos de Oséias representam a realidade futura de Israel diante de Deus, o Senhor os abandonaria e eles não mais receberiam as bênçãos de ser povo de Deus. Porém, a despeito de sua ira justa, Deus promete redenção. Ele diz “…tratarei com amor aquela que chamei Não amada. Direi àquele chamado ‘Não-meu-povo’: Você é meu povo; e ele dirá: ‘Tu és o meu Deus’.” (Os 2.23b). Pedro aplica essa promessa aos seus leitores originais e a nós também: “Antes vocês nem sequer eram povo, mas agora são povo de Deus; não haviam recebido misericórdia, mas agora a receberam.”(1 Pedro 2.10). Saber disso deveria fazer com que levássemos muito a sério a nossa posição e a nossa missão como Igreja de Deus!
Tudo isso deveria nos levar a reconhecer que cada um de nós que é crente no Senhor Jesus é…

Não vá à igreja, seja a igreja!
… Alguém que faz parte do povo especial de Deus.
… Alguém que precisa se integrar nesse povo.
… Alguém que prega o evangelho de Deus!
… Alguém que precisa buscar ser tudo isso porque Deus lhe outorgou sua misericórdia.
E como igreja? Quem nós somos como igreja? Como igreja local precisamos buscar acima de tudo refletir o caráter de Deus em tudo o que fazemos. Porém, antes de pensar no que vamos fazer, precisamos refletir no que queremos ser. E, com base nesse texto, podemos ver que precisamos ser…
… Comprometidos com a união de nossa igreja. Uma igreja feita de pessoas que se amam reflete melhor o amor de Deus.
… Uma igreja que ama a adoração e a edificação comunitária.
… Uma igreja que tem uma presença significativa no mundo, jamais nos escondendo ou nos colocando contra a sociedade. Devemos viver de maneira exemplar no meio dos incrédulos (1 Pe 2.12).
… Uma igreja que não tem medo de apresentar o evangelho de Jesus (1 Pe 3.15).
… Uma igreja que resolve seus problemas a partir de verdadeira gratidão a Deus pela Sua infinita misericórdia para conosco.








